Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil
Brasil e Estados Unidos devem retomar na próxima semana as negociações para tentar avançar em uma solução para o impasse comercial provocado pelas tarifas norte-americanas sobre produtos brasileiros. A retomada foi acertada após uma conversa telefônica entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump nesta sexta-feira (21).
O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, representantes do Ministério das Relações Exteriores (MRE) e integrantes do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) participarão das próximas tratativas.
A data do encontro ainda será definida pelas equipes dos dois governos.
Lula e Trump discutiram tarifas
A conversa entre Lula e Trump durou cerca de uma hora e 20 minutos e, segundo o Palácio do Planalto, ocorreu de maneira cordial.
Durante o telefonema, o presidente brasileiro defendeu a retomada das negociações e contestou as justificativas apresentadas pelos Estados Unidos para a adoção das tarifas.
Entre os pontos citados pelo governo norte-americano estão questões relacionadas ao desmatamento, propriedade intelectual, combate à corrupção, Pix, etanol, acordos preferenciais e importações associadas a trabalho forçado.
Lula argumentou que as tarifas prejudicam os dois países e defendeu o diálogo como alternativa para preservar a relação comercial entre Brasil e Estados Unidos.
Trump, segundo o governo brasileiro, concordou com a necessidade de manter os vínculos comerciais e indicou a retomada do contato entre as equipes.
Novo canal de negociação
O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços e o Ministério das Relações Exteriores avaliaram que a conversa entre os presidentes abriu uma nova oportunidade para buscar uma solução negociada para a disputa comercial.
A expectativa agora é que os representantes dos dois governos avancem nas discussões técnicas sobre as medidas tarifárias e seus impactos nas relações econômicas entre Brasil e Estados Unidos.
Segurança e combate ao crime também entraram na conversa
Além das questões comerciais, Lula e Trump discutiram cooperação na área de segurança e combate ao crime organizado.
O presidente brasileiro apresentou ações adotadas pelo país contra organizações criminosas, incluindo medidas de combate ao financiamento dessas estruturas. Segundo o Planalto, aproximadamente R$ 17 bilhões foram apreendidos em ações de asfixia financeira.
Entre as iniciativas mencionadas estão a Lei Antifacção e a criação do Centro de Cooperação Policial Internacional da Amazônia, em Manaus.
Trump teria demonstrado disposição para ampliar a cooperação e afirmou que indicará representantes de alto escalão para dar continuidade às discussões.
Presidentes também trataram de conflitos internacionais
A conversa também abordou os conflitos na Ucrânia e no Oriente Médio.
Lula e Trump defenderam a busca por uma solução negociada para a guerra entre Rússia e Ucrânia. O presidente brasileiro também criticou a falta de atuação do Conselho de Segurança das Nações Unidas diante dos conflitos internacionais e sugeriu uma reunião extraordinária do órgão.
O conflito envolvendo o Irã também foi mencionado durante o telefonema.



